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Um dia em azul, branco e rosa



Por Yasmin Spiegel


No Brasil, desde 2004, o dia 29 de janeiro possui cores diferentes, que representam o orgulho de ser quem se é, como diz a criadora da bandeira trans, Monica Helms: “As listras na parte superior e inferior são azul claro, a cor tradicional dos garotos. As listras ao lado são cor-de-rosa, a cor tradicional das garotas. A faixa central é branca, para aqueles que estão entre os dois sexos, em transição de um para o outro ou consideram ter um gênero neutro ou indefinido. O padrão é tal que não importa o caminho que você siga, ele é sempre correto, o que significa que encontramos o caminho de nossas vidas.”

Em 29 de janeiro de 2004, um grupo de mulheres e homens trans e travestis se uniu no Congresso Nacional com a campanha “Travesti e Respeito", ressaltando a força e poder do movimento, sendo a primeira campanha organizada unicamente pelas próprias pessoas da comunidade. Infelizmente, mesmo que o dia seja marcado no calendário brasileiro e promova diversos debates sobre o tema, o apagamento trans é tão persistente que, mesmo com a pesquisa para esse texto tendo sido feita baseada em diversos sites e plataformas, o nome das organizadoras e organizadores da campanha não está presente em NENHUMA das fontes, provando que o caminho de combate a transfobia é, apesar de conquistas recentes, longo e árduo para quem sofre essa violência.

Os dados não deixam mentir: A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) publicou uma pesquisa que mostra o Brasil como o país que mais mata pessoas trans no mundo. Em 2020, 175 travestis e mulheres trans foram assassinadas, um dos maiores números da década. Além da violência física, um estudo da UFMG mostrou que 85,7% dos homens trans já consideraram ou tentaram suícidio em algum momento de suas vidas. No Brasil, as pessoas da comunidade trans não estão seguras tanto nas ruas quanto em seu psicológico, violentado constantemente por pessoas que se dizem de bem, mas praticam e defendem a transfobia.

Ao nascer, não temos nosso destino traçado pelo gênero que nos é imposto. Então, por que pessoas da comunidade trans continuam sofrendo tamanho descaso e violência por tantas esferas da sociedade? Ser parte da comunidade trans é, como diz Monica Helms, saber que encontrou o caminho de sua própria vida, a liberdade de não estar preso dentro de uma caixinha de gênero. Que possamos, cada dia mais, defender o alívio de poder se expressar e ser livremente, de ocupar todos os espaços, de, simplesmente, existir em paz.



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