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A maternidade como obstáculo de pesquisa


De acordo com LIMA (2019), a pesquisa ‘Parent in Science’ traz uma série de dados sobre o impacto da maternidade na carreira científica das mulheres brasileiras. O estudo contou com um questionário online que foi respondido por 1.182 docentes do país em 2017. A pesquisa foi realizada pela bióloga Fernanda Stanisçuaski - mãe de três crianças.

De acordo com o estudo, as cientistas com filhos enfrentam uma queda drástica no número de publicações até o 4° ano após o nascimento do filho. Dentre o perfil das mulheres que responderam o questionário, 77% eram mães e 54% eram as únicas responsáveis pelo cuidado dos filhos.


A média de idade delas no momento da chegada do primeiro filho era de 32 anos, período que costuma ser o ápice da produção científica de pesquisadores. Entre as que responderam o questionário, 59% responderam que a maternidade teve um impacto negativo em suas carreiras e outros 22% responderam que o impacto foi “bastante negativo”. As entrevistadas relataram a falta de apoio das instituições às quais estão vinculadas em relação à maternidade, além dos impactos na saúde mental. 45% das entrevistadas responderam que não têm tempo para trabalhar em casa, ou declaram que muito raramente ou com muita dificuldade têm essa disponibilidade (LIMA, 2019).


A biomédica Jussara Nascimento faz parte de um grupo de cientistas que precisam conciliar a maternidade e a pós-graduação, além da carreira profissional. Jussara é mestranda da primeira turma do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática da Unifesspa, e ficou grávida logo no começo do curso. Jussara se divide entre a jornada de horas de estudos, pesquisas, seminários, trabalhos, a gestação e o nascimento da pequena Aurora, a jovem cientista não desanimou diante de tamanho desafio. Jussara diz que, antes da pandemia, durante as aulas presenciais, a filha recém-nascida a acompanhava. Ela conta que sempre teve a compreensão e apoio dos professores e colegas que a ajudaram a permanecer no curso. Em 2020, atuando na linha de frente no combate à pandemia de Covid-19, Jussara novamente sentiu o impacto e as dificuldades para continuar sua pesquisa e concluir o curso de mestrado.

Uma outra pesquisa, também realizada pelo projeto Parent in Science, entre os meses de maio e abril de 2020, com participação de cerca de 10 mil alunos de pós-graduação do país, demonstrou que, entre as alunas que são mães, menos de 10% estavam conseguindo seguir com suas dissertações e teses naquele momento. De outro lado, 35% dos entrevistados declarados homens ou mulheres sem filhos, relataram conseguir seguir normalmente suas rotinas de pesquisa. “Trabalho todos os dias e, às vezes, também faço plantões aos finais de semana. Minha filha ainda é muito pequena e requer muitos cuidados. Sem dúvidas, a maternidade é a parte mais desafiadora das atividades que exerço”, confessa a biomédica.

Podemos concluir que, ao longo dos tempos as mulheres, vieram conquistando espaço na sociedade acadêmica e a sua presença no mercado de trabalho está no caminho para se consolidarem, entretanto, as mulheres brasileiras que já são a maioria da população e uma grande parte é responsável pelo sustento de sua família, torna as suas realidades repletas de desafios, ao tentar conciliar vida pessoal, acadêmica e profissional, com o papel de mãe.


Heloísa Carvalho.


Como a maternidade afeta a carreira científica de mulheres no Brasil. Disponível em:



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